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cristina dangerfield-vogt

Iniciado em Israel, foi o meu primeiro blog, e tem alguns inéditos não publicados ainda em livro, além de excertos do meu livro - Um Ano em Telavive - Foca o quotidiano israelita, viagens pela Palestina, notícias actuais,..

cristina dangerfield-vogt

Iniciado em Israel, foi o meu primeiro blog, e tem alguns inéditos não publicados ainda em livro, além de excertos do meu livro - Um Ano em Telavive - Foca o quotidiano israelita, viagens pela Palestina, notícias actuais,..

ainda Ajami, os israelistas e mais...

Depois de um longa pausa criativa e de uma curta viagem a Lx, que me recarregou as pilhas, estou pronta a relatar da Santissima Terra, o que possa ser interessante para os meus amigos e outros curiosos.


 


Continuando o tema do filme Ajami, que foi nomeado para os óscares do melhor filme estrangeiro de 2010, os seus actores amadores e os seus realizadores, um árabe israelita e um judeu israelita, viram o prémio fugir-lhes para outro filme igualmente político, mas menos actual. Hollywood teria dificuldade em tomar posição, ou não quereria, e votar num filme que é obviamente muito crítico do estado das coisas nesta Terra Santa para todos! 


 


Encontrei Sandar Copti, o realizador árabe cristão do dito filme, no café do tio; o tal local que pretende unir os povos, ou pelo menos mostrar as diferenças e as semelhanças entre os povos palestiniano e judeu na Palestina ou Eretz Israel, conforme as perspectivas pessoais, e que promove a aproximação cultural e coexistência entre as partes neste conflito, que dura desde os primeiros colonatos do séc. 19, quando os judeus europeus começaram a fugir dos progroms, ou seja das perseguições, no Leste da Europa, para a Palestina Otomana.


 


É a partir do séc. 19 que toma forma a ideia de fundar um estado judeu em que os judeus de todo o mundo pudessem viver ao abrigo de perseguições. A Terra Santa, a Palestina, seria a região mais adequada por tradição histórico-religiosa - ao longo dos séculos, em várias cerimónias religiosas, se enche um cálice de vinho e se quebra o cálice atirando-o ao chão e quebrando-o com o pé (nomeadamente nos casamentos) dizendo "no próximo ano em Jerusalém",  para relembrar que, mesmo nos momentos mais felizes da vida de um judeu, nunca ele esquece a destruição do templo de Jerusalém. Mas houve outras ideias, tal como a de constituir um Estado Judeu no Alasca, no planalto de Angola, etc. que foram recusadas pelas entidades com jurisdição sobre essas regiões.


 


Mas Sandar Copti não parece impressionado por todos estes factores históricos pq para ele, como membro da minoria não judia, estes ideais libertários do sionismo apenas lhe marcaram a vida com o reverso da medalha, ou seja, a ocupação de uma terra que historicamente, e para ele, foi palestiniana, cujas famílias foram separadas por muros, um estado que, segundo disse numa entrevista "não me representa, e que por esta razão,  eu não o represento na cerimónia dos óscares".


 


Sandar Copti é um simpático palestiniano, engenheiro de profissão, que se dedica ao cinema nas horas vagas, para além de actividade política e de apoio aos habitantes do bairro de Ajami, em Jaffa. Uma pessoa afável, com quem é fácil conversar e que me disse que, embora em Portugal ainda não tivesse sido estreado o filme Ajami, teve um pedido de empréstimo do filme para uma sessão privada em Lisboa. Adorava saber que grupo será este tão interessado neste original filme que, infelizmente, ainda não suscitou o interesse dos responsáveis pela distribuição filmográfica em Portugal.


 


E aqui vai uma dica: peçam AJAMI, formem um lobby, para que seja estreado também em Portugal este filme sobre a vida quotidiana no bairro de Ajami, em Jaffa, Telavive, que nos diz mais do que muitos comentários políticos e jornalísticos sobre a situação dos árabes que vivem em Israel. Os Palestinianos não vivem só do outro lado dos muros mas também em cidades e aldeias do território israelita; e vivem uma vida diferente e com possibilidades divergentes dos seus irmãos da Cisjordânia e, de forma mais radical, dos seus irmãos de Gaza.


 


Como disse Gideon Levi:  "Apesar de os árabes israelitas serem os mais livres do mundo árabe, eles são, contudo, o grupo mais discriminado no Estado de Israel". Uma interessante afirmação deste jornalista israelita que escreve no jornal liberal Haaretz e cujos artigos são proponderantemente contra a ocupação que não tem medo de designar pelo nome que lhe é atribuído pelos palestinianos.


 


Isto prova que em Israel, se erguem várias vozes contra o estado das coisas, e estas vozes são israelitas e judias, e têm espaço num jornal nacional de qualidade que é lido por uma larga faixa do público israelita.


 


 Copyright © 2010 cd-v mural em Jaffa


 


Copyright © 2010 cristina vogt-da silva, Mural em Jaffa


 



 


Copyright © 2010 cristina vogt-da silva,


Palestinianas às compras em Allenby, Carmel, Telavive


 



 

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