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cristina dangerfield-vogt

Iniciado em Israel, foi o meu primeiro blog, e tem alguns inéditos não publicados ainda em livro, além de excertos do meu livro - Um Ano em Telavive - Foca o quotidiano israelita, viagens pela Palestina, notícias actuais,..

cristina dangerfield-vogt

Iniciado em Israel, foi o meu primeiro blog, e tem alguns inéditos não publicados ainda em livro, além de excertos do meu livro - Um Ano em Telavive - Foca o quotidiano israelita, viagens pela Palestina, notícias actuais,..

foi assim aquele inverno israelita em 2008-2009!

Queridos amigos e leitores do meu blog,


O inverno israelita de 2008-2009 foi marcado por um mês de guerra em Gaza. Segundo o governo israelita, teria sido a resposta aos Qassams que caíam e, aliás, continuam a cair no sul de Israel. Contudo, quase toda a comunidade internacional ficou chocada e, sobretudo, foi quase unânime na condenação do ataque gravemente desproporcional à ameça dos rudimentares Qassams. Nessa altura estava em Telavive e, tal como o resto do mundo, vivi a situação em estado de choque. Mas chocou-me, muito especialmente, ver os telavivenses sentados nos cafés bebendo a bica local sob os amenos raios de sol do inverno, enquanto a uns meros 70km de distância se desenrolava a Guerra de Gaza e, evidentemente, no território israelita perto de Gaza se vivesse noites brancas de medo; os outros, os gazeanos, viviam-nas iluminados por bombas de fósforo, de acordo com o relatório do Sr. Goldstone. Deste estado de espírito nasceram os dois poemas abaixo que partilho convosco. Note-se que não sou poeta e que prefiro a prosa. Perdoem-me o diletantismo e leiam com paciência.


 


 


 


 


Guerra e Fotos – Fronteiras entre as Realidades


 


Cair - caiem, caíram, cairão...


 


Levemente


Batem no solo


As Bombas,


Levemente acertam e desacertam


Nos alvos – móveis e imóveis,


Levemente como penas caem,


Num filme a preto e branco,


Branca a mortal poeira do que ficou


Flutuando no ar.


 


Vultos negros e brancos,


Empoeirados e humilhados


Procuram nos destroços ainda fumegantes


Com mãos trémulas e inseguras


As sombras das recordações,


O grito mental que não se solta  


Daqueles peitos oprimidos,


Atravessado nas gargantas ressequidas,


As bocas resignadas numa fina linha


Cerradas, incrédulas e horrorizadas


Os olhos secos fixando nos cartões sépia


De cantos chamuscados


As almas já a caminho dos céus...


 


E no deserto deste mundo cinzento


Perante tamanha crueldade


Perguntam mudas:


Porquê tanta indiferença,


Que fizemos a Deus, e Onde está Ele?


 


 


 


Praia de Telavive Janeiro 2009


 


Texto e fotos: copyright © Janeiro 2009 de Cristina Vogt-Da Silva


 


 


 


 


QUASSAMS


 


Uma sirene soa aflitiva,


No céu um rasto de Quassam,


Os minutos não serão bastantes


Para uma corrida evasiva.


 


Uma criança chora,


Outra molha a cama,


Os olhos claros aterrorizados,


As mãozinhas tremendo suadas.


 


Corre, corre meu filho!


Não te deixes apanhar pelo ódio


Dos impotentes cercados,


Pelas armas dos pobres sitiados,


 


Corram, corram para os abrigos,


Avós, Pais, mães e filhos


Em correrias certeiras,


E destinos mútuos incertos,


 


Todos os dias, de minuto em minuto,


Em cada segundo,


Preparados para correr ao grito


Sibilante da sirene,


 


 – Pela vida, fugir...


E pela pátria marchar, marchar


Ó bravos donzéis


Pela pátria marchar... 


 


Pela pátria gritar juramentos


E (des)obedecer ordens


De olhos fechados  


E pela pátria, indiferentes –


 Ignorar, ignorar, ignorar!


 


 


 


Soldado no passeio marítimo de Telavive


 


Texto e Fotos copyright © Janeiro 2009, Cristina Vogt-Da Silva


 


PS. Poemas escritos em Telavive durante a guerra de Gaza em 2008-2009


 


 


 


 

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